quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

TOTALIDADE

não pode haver um só
senão na há verdade

o tédio não é são
são barras de uma grade

mas se ninguém percebe
pra ser integridade
                              
se fundem muitos nomes
na minha identidade

Lara Félix

Dez/2013
me conheço pelo nome
esse que diz quem eu sou
não o nome que me deram
mas o que ecoa o meu som

não peça que eu pronuncie
não queira ouvir nem saber
esse nome me pertence
esse nome é meu poder

quando meu nome se solta
tem estrondo de trovão
tem força de tempestade
tem fúria de furacão

e quem escuta meu nome
nunca mais o quer ouvir
ele traz destruição
antes da paz ressurgir

não subestime meu nome
não o traga para fora
ele é a luz que te cega
e a treva que te devora

Lara Félix

Dez/2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CHAPEUZINHO

meu coração de criança
não sabe nem procura nada
abre as portas, atravessa
não deixa janela fechada

levo doces, levo risos
na minha cesta encantada
levo um sol no meu peito
e uma noite enluarada

sigo espalhando meu canto
dançando na caminhada
deixo uma trilha de açúcar
de calda caramelada

o lobo mau que fareja
oculto pela minha estrada
quiçá tenha um coração
que desperte na jornada

Lara Félix

Dez/2013

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

BÚSSOLA


eu perguntava-me isso
de onde vim, pra onde vou
e a bússola me disse
que tudo é onde estou

I


então nasci para o mundo
vindo do fogo e do sul
saí da luz, do profundo
escuro e denso azul

cheguei pensando e sabendo
quem eu sou, de onde vim
não sou o corpo vivendo
sou centelha, deus, enfim

e me lembrava de tudo
e me lembrava de mim...

II


e despertei para o Todo
com o vento a me soprar
vindo do leste com tudo
trazendo as novas do ar

via de tudo um pouco
sentia a inspiração
podia ser santo, ser louco
podia seguir a visão

e me esquecia de mim
perdido na vastidão...

III


pisei firme no meu norte
sentindo a terra pulsar
escolhi a minha sorte
nutrido pra manifestar

pus as mãos na terra minha
fiz o molde do meu sonho
na labuta e na entrelinha
eu li que estava risonho

e me moldava de novo
para expressar o meu som...

IV


sem saber que o fim da linha
não era chegar ao norte
segui a água que vinha
me carregar para a morte

lá onde o sol adormece
encontrei o mar profundo
fiz minha última prece
me despedi deste mundo

e retornei à origem
onde sabia de tudo...

V


entrei no vazio completo
perdido na escuridão
e vi que estava desperto
eu era a imensidão

senti a vida pulsar
no fundo da consciência
com a alma a me mostrar
meu centro e sua ciência

e soube o caminho certo
pra guiar minha existência...

Lara Félix


Dez/2013

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CERTEZA

Talvez da terra firme marinheira
Talvez não haja chão sob meus pés
Talvez tenha certezas de mentira
Talvez seja um espelho em seu revés

Talvez esteja vendo tudo claro
Talvez um cego tateando na ilusão
Talvez jogando fora um sonho raro
Talvez retendo o podre em minha mão

Talvez desafiando a outra margem
Talvez fugindo pra não acordar
Talvez um sábio da maior coragem
Talvez tolo covarde a se matar

Talvez minh'alma saiba e esteja certa
Talvez a mente engane à precisão
Talvez eu atravesse a porta aberta
Talvez eu morra dentro da prisão

Lara Félix
2012

domingo, 29 de agosto de 2010

(?)

Mais uma sombra que passa
entre um e outro vento
varre do meu pensamento
todo intento e toda graça

Mais um brinquedo vão
uma onda passageira
viagem sem rota certeira
que cabe na minha mão

Mais um momento assim
em que descanso meus medos
e invento outros segredos
que não me escondem de mim

Mais uma máscara pinto
para fingir que estou vivo
para abafar o meu uivo
finjo que não sinto e sinto

Mais uma peça em cena
e um nó que não desato
não estou em nenhum ato
sou a platéia que encena

sábado, 28 de agosto de 2010

História Pessoal

Que as máscaras todas são óbvias
já sei
O engano da máscara ao seu dono
deixei
A linha do meu intento, às claras
tracei
À beira do abismo do medo, pra isso
andei
Para as profundezas escuras, sem pejo
olhei
Sabendo dos riscos da queda, nem penso
pulei
Mas um fio salva-vidas à outra margem
lancei
Se ter de acreditar é a regra, sim
acreditei
Não no que vi e ouvi, mas no que
desejei
Com toda a verdade e pureza, de ingênua
brinquei
Conhecendo bem e mal, ainda assim
me dei
Ninguém pode dizer, nem mesmo eu
que errei
Erra quem não ousa nunca, do contra
ousei
Se tudo é perdido com isso, eu ganho
mudei
Minha consciência cresce naquilo que
amei
Com meu poder nas mãos, os dados
lancei
Nem um pouco importa se ao fim ri
ou chorei

terça-feira, 22 de junho de 2010

Meus Versos

meu peito atado em seus nós
sua dor contida transborda
palavras e frases de pó
meus versos são versos de mágoa

meu peito rasgado se mostra
nu sem pudores palpita
palavras e frases, torrentes
meus versos são versos de água

meu peito queima, se embrasa
se inunda de vida e calor
palavras e frases de fogo
meus versos são versos de amor

meu peito se fere em espinhos
se arranha e sangra em cascatas
palavras e frases de fel
meus versos são versos de dor

meu peito se muda em segundos
de um lado a outro do mundo
palavras e frases tão vãs
meus versos são versos de vento

meu peito fala ao mundo
mesmo que o mundo não escute
palavras e frases de alma
meus versos são versos de intento

meu peito fala ao universo
e ao falar ele responde
palavras e frases, magia
meus versos são versos de encanto

meu peito reflete o infinito
e nele o infinito se encontra
palavras e frases de um Todo
meus versos são versos meninos

meu peito me fala de mim
me ordena na vida e destino
palavras e frases, caminhos
meus versos são versos de um hino

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dentro de mim mora ela, a criança
Que fui e que sou, e a esperança
De que ela um dia em mim prevaleça
Pois, antes que eu me esqueça

Dentro de mim também mora ela, a besta
Horrível que sou e que me faz funesta
Como um segundo eu que me habita
Fazendo da criança a morada maldita

Por onde passa o horror dos meus fantasmas
E que me mostra na sombra os miasmas
A escorrer das minhas cicatrizes
E mesmo em seus momentos mais felizes

Não há como proteger minh'alma pequenina
Do que ela mesma pariu, que é minha sina
Esta besta imensa que a persegue afora
Cobrindo de pavor e sombra sua terna hora

E, se mais em amor minha criança brilha,
Mais em ódio a besta ruge e trilha
Ao seu lado, como contrapeso seu
E me dói saber que ambas sou eu

E se em amor a criança minha resplandece
Igualmente em ódio a besta em mim cresce
Porque não há entre um e outro diferença
Senão na alma de quem faz de um deles sua crença

E não sei se ela, a criança, que já estava em mim
Ficará para sempre viva, ou se no fim
A besta por ela produzida, que me abomina
Calará para sempre minha alma de menina

Por mais que eu pense não encontro um jeito
De desfazer o que em mim já está feito
Se a besta mata a criança, por deus, nem pense...
Se a criança mata a besta, a besta vence!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

alinhavo nossos momentos com a linha do imaginário
um assombro a cada ponto e um suspiro em cada arremate
meu coração tem um saber que é centenário
mas meu saber vão nem sequer a seus pés bate

meu coração sabe ser teu ou ser de qualquer outro
e sabe sê-lo com entrega inteira e sem pedidos
mas o que sei me diz que perco quando o dou, a ponto
de ver meus sonhos e meu próprio coração perdidos

e a linha fina com que a mim mesma me costuro
a reparar o que, ao fim, não foi rasgado
é de uma chama que se acende em meu escuro

quando meu coração fala ao meu saber silenciado
e ele me diz com sábia voz de doce augúrio:
te entrega mais, que não há mais do que o que é dado