Talvez da terra firme marinheira
Talvez não haja chão sob meus pés
Talvez tenha certezas de mentira
Talvez seja um espelho em seu revés
Talvez esteja vendo tudo claro
Talvez um cego tateando na ilusão
Talvez jogando fora um sonho raro
Talvez retendo o podre em minha mão
Talvez desafiando a outra margem
Talvez fugindo pra não acordar
Talvez um sábio da maior coragem
Talvez tolo covarde a se matar
Talvez minh'alma saiba e esteja certa
Talvez a mente engane à precisão
Talvez eu atravesse a porta aberta
Talvez eu morra dentro da prisão
Lara Félix
2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
domingo, 29 de agosto de 2010
(?)
Mais uma sombra que passa
entre um e outro vento
varre do meu pensamento
todo intento e toda graça
Mais um brinquedo vão
uma onda passageira
viagem sem rota certeira
que cabe na minha mão
Mais um momento assim
em que descanso meus medos
e invento outros segredos
que não me escondem de mim
Mais uma máscara pinto
para fingir que estou vivo
para abafar o meu uivo
finjo que não sinto e sinto
Mais uma peça em cena
e um nó que não desato
não estou em nenhum ato
sou a platéia que encena
entre um e outro vento
varre do meu pensamento
todo intento e toda graça
Mais um brinquedo vão
uma onda passageira
viagem sem rota certeira
que cabe na minha mão
Mais um momento assim
em que descanso meus medos
e invento outros segredos
que não me escondem de mim
Mais uma máscara pinto
para fingir que estou vivo
para abafar o meu uivo
finjo que não sinto e sinto
Mais uma peça em cena
e um nó que não desato
não estou em nenhum ato
sou a platéia que encena
sábado, 28 de agosto de 2010
História Pessoal
Que as máscaras todas são óbvias
já sei
O engano da máscara ao seu dono
deixei
A linha do meu intento, às claras
tracei
À beira do abismo do medo, pra isso
andei
Para as profundezas escuras, sem pejo
olhei
Sabendo dos riscos da queda, nem penso
pulei
Mas um fio salva-vidas à outra margem
lancei
Se ter de acreditar é a regra, sim
acreditei
Não no que vi e ouvi, mas no que
desejei
Com toda a verdade e pureza, de ingênua
brinquei
Conhecendo bem e mal, ainda assim
me dei
Ninguém pode dizer, nem mesmo eu
que errei
Erra quem não ousa nunca, do contra
ousei
Se tudo é perdido com isso, eu ganho
mudei
Minha consciência cresce naquilo que
amei
Com meu poder nas mãos, os dados
lancei
Nem um pouco importa se ao fim ri
ou chorei
já sei
O engano da máscara ao seu dono
deixei
A linha do meu intento, às claras
tracei
À beira do abismo do medo, pra isso
andei
Para as profundezas escuras, sem pejo
olhei
Sabendo dos riscos da queda, nem penso
pulei
Mas um fio salva-vidas à outra margem
lancei
Se ter de acreditar é a regra, sim
acreditei
Não no que vi e ouvi, mas no que
desejei
Com toda a verdade e pureza, de ingênua
brinquei
Conhecendo bem e mal, ainda assim
me dei
Ninguém pode dizer, nem mesmo eu
que errei
Erra quem não ousa nunca, do contra
ousei
Se tudo é perdido com isso, eu ganho
mudei
Minha consciência cresce naquilo que
amei
Com meu poder nas mãos, os dados
lancei
Nem um pouco importa se ao fim ri
ou chorei
terça-feira, 22 de junho de 2010
Meus Versos
meu peito atado em seus nós
sua dor contida transborda
palavras e frases de pó
meus versos são versos de mágoa
meu peito rasgado se mostra
nu sem pudores palpita
palavras e frases, torrentes
meus versos são versos de água
meu peito queima, se embrasa
se inunda de vida e calor
palavras e frases de fogo
meus versos são versos de amor
meu peito se fere em espinhos
se arranha e sangra em cascatas
palavras e frases de fel
meus versos são versos de dor
meu peito se muda em segundos
de um lado a outro do mundo
palavras e frases tão vãs
meus versos são versos de vento
meu peito fala ao mundo
mesmo que o mundo não escute
palavras e frases de alma
meus versos são versos de intento
meu peito fala ao universo
e ao falar ele responde
palavras e frases, magia
meus versos são versos de encanto
meu peito reflete o infinito
e nele o infinito se encontra
palavras e frases de um Todo
meus versos são versos meninos
meu peito me fala de mim
me ordena na vida e destino
palavras e frases, caminhos
meus versos são versos de um hino
sua dor contida transborda
palavras e frases de pó
meus versos são versos de mágoa
meu peito rasgado se mostra
nu sem pudores palpita
palavras e frases, torrentes
meus versos são versos de água
meu peito queima, se embrasa
se inunda de vida e calor
palavras e frases de fogo
meus versos são versos de amor
meu peito se fere em espinhos
se arranha e sangra em cascatas
palavras e frases de fel
meus versos são versos de dor
meu peito se muda em segundos
de um lado a outro do mundo
palavras e frases tão vãs
meus versos são versos de vento
meu peito fala ao mundo
mesmo que o mundo não escute
palavras e frases de alma
meus versos são versos de intento
meu peito fala ao universo
e ao falar ele responde
palavras e frases, magia
meus versos são versos de encanto
meu peito reflete o infinito
e nele o infinito se encontra
palavras e frases de um Todo
meus versos são versos meninos
meu peito me fala de mim
me ordena na vida e destino
palavras e frases, caminhos
meus versos são versos de um hino
segunda-feira, 22 de março de 2010
Dentro de mim mora ela, a criança
Que fui e que sou, e a esperança
De que ela um dia em mim prevaleça
Pois, antes que eu me esqueça
Dentro de mim também mora ela, a besta
Horrível que sou e que me faz funesta
Como um segundo eu que me habita
Fazendo da criança a morada maldita
Por onde passa o horror dos meus fantasmas
E que me mostra na sombra os miasmas
A escorrer das minhas cicatrizes
E mesmo em seus momentos mais felizes
Não há como proteger minh'alma pequenina
Do que ela mesma pariu, que é minha sina
Esta besta imensa que a persegue afora
Cobrindo de pavor e sombra sua terna hora
E, se mais em amor minha criança brilha,
Mais em ódio a besta ruge e trilha
Ao seu lado, como contrapeso seu
E me dói saber que ambas sou eu
E se em amor a criança minha resplandece
Igualmente em ódio a besta em mim cresce
Porque não há entre um e outro diferença
Senão na alma de quem faz de um deles sua crença
E não sei se ela, a criança, que já estava em mim
Ficará para sempre viva, ou se no fim
A besta por ela produzida, que me abomina
Calará para sempre minha alma de menina
Por mais que eu pense não encontro um jeito
De desfazer o que em mim já está feito
Se a besta mata a criança, por deus, nem pense...
Se a criança mata a besta, a besta vence!
Que fui e que sou, e a esperança
De que ela um dia em mim prevaleça
Pois, antes que eu me esqueça
Dentro de mim também mora ela, a besta
Horrível que sou e que me faz funesta
Como um segundo eu que me habita
Fazendo da criança a morada maldita
Por onde passa o horror dos meus fantasmas
E que me mostra na sombra os miasmas
A escorrer das minhas cicatrizes
E mesmo em seus momentos mais felizes
Não há como proteger minh'alma pequenina
Do que ela mesma pariu, que é minha sina
Esta besta imensa que a persegue afora
Cobrindo de pavor e sombra sua terna hora
E, se mais em amor minha criança brilha,
Mais em ódio a besta ruge e trilha
Ao seu lado, como contrapeso seu
E me dói saber que ambas sou eu
E se em amor a criança minha resplandece
Igualmente em ódio a besta em mim cresce
Porque não há entre um e outro diferença
Senão na alma de quem faz de um deles sua crença
E não sei se ela, a criança, que já estava em mim
Ficará para sempre viva, ou se no fim
A besta por ela produzida, que me abomina
Calará para sempre minha alma de menina
Por mais que eu pense não encontro um jeito
De desfazer o que em mim já está feito
Se a besta mata a criança, por deus, nem pense...
Se a criança mata a besta, a besta vence!
sábado, 27 de fevereiro de 2010
alinhavo nossos momentos com a linha do imaginário
um assombro a cada ponto e um suspiro em cada arremate
meu coração tem um saber que é centenário
mas meu saber vão nem sequer a seus pés bate
meu coração sabe ser teu ou ser de qualquer outro
e sabe sê-lo com entrega inteira e sem pedidos
mas o que sei me diz que perco quando o dou, a ponto
de ver meus sonhos e meu próprio coração perdidos
e a linha fina com que a mim mesma me costuro
a reparar o que, ao fim, não foi rasgado
é de uma chama que se acende em meu escuro
quando meu coração fala ao meu saber silenciado
e ele me diz com sábia voz de doce augúrio:
te entrega mais, que não há mais do que o que é dado
um assombro a cada ponto e um suspiro em cada arremate
meu coração tem um saber que é centenário
mas meu saber vão nem sequer a seus pés bate
meu coração sabe ser teu ou ser de qualquer outro
e sabe sê-lo com entrega inteira e sem pedidos
mas o que sei me diz que perco quando o dou, a ponto
de ver meus sonhos e meu próprio coração perdidos
e a linha fina com que a mim mesma me costuro
a reparar o que, ao fim, não foi rasgado
é de uma chama que se acende em meu escuro
quando meu coração fala ao meu saber silenciado
e ele me diz com sábia voz de doce augúrio:
te entrega mais, que não há mais do que o que é dado
sábado, 30 de janeiro de 2010
0 (ZERO)
é preciso saber usar
qualquer coisa a seu favor
é preciso aceitar a dor
e voltar a caminhar
mesmo sob a própria sombra
é urgente ressucitar
cada vez que um eu morrer
e voltar a perceber
o poder que nos assombra
é preciso estar à sós
e atento a cada voz
pra escutar o que não fala
necessário é permitir
que a besta possa emergir
pra revelar sua força
do fundo da sua fraqueza
deixar fluir a certeza
da única voz que não cala
qualquer coisa a seu favor
é preciso aceitar a dor
e voltar a caminhar
mesmo sob a própria sombra
é urgente ressucitar
cada vez que um eu morrer
e voltar a perceber
o poder que nos assombra
é preciso estar à sós
e atento a cada voz
pra escutar o que não fala
necessário é permitir
que a besta possa emergir
pra revelar sua força
do fundo da sua fraqueza
deixar fluir a certeza
da única voz que não cala
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
APRESENTAÇÃO
Meu nome não digo mais
Como fiz tempos atrás
Em que andava distraída
Deixo a alma nua à mostra
A quem quiser olhar a ostra
Que se abre oferecida
Como Shakespeare dizia
Com sua sábia poesia
O que é um nome afinal?
Meu coração apresento
É espaçoso aposento
Nele só não cabe o mal
A quem o quiser conhecer
Não precisa nem bater
Basta dar a senha certa
Não tem porta esta pousada
Pra fazer dele morada
Para em frente e diz "Desperta!"
Como fiz tempos atrás
Em que andava distraída
Deixo a alma nua à mostra
A quem quiser olhar a ostra
Que se abre oferecida
Como Shakespeare dizia
Com sua sábia poesia
O que é um nome afinal?
Meu coração apresento
É espaçoso aposento
Nele só não cabe o mal
A quem o quiser conhecer
Não precisa nem bater
Basta dar a senha certa
Não tem porta esta pousada
Pra fazer dele morada
Para em frente e diz "Desperta!"
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
MORTE
caminha ao meu lado, mas sem pressa
de chegar, pois és o que me resta
a companheira certa no caminho incerto
e não te prives de tocar-me o ombro
a me lembrar e me causar assombro
com tua mão que está sempre por perto
impulsiona meus pés, mas devagar
pois é para ti que estou a caminhar
em meu caminho vasto e tão deserto
sem tua companhia aqui presente
a recordar que estás sempre iminente
já estaria eu morta sem sequer saber
é o teu sopro frio que me anima
embora tu me atraias feito ímã
rumar a ti é o que me faz viver
não quero apagar-te do meu pensamento
para andar mais viva a cada movimento
e enfim lançar-me em teus braços pra morrer
de chegar, pois és o que me resta
a companheira certa no caminho incerto
e não te prives de tocar-me o ombro
a me lembrar e me causar assombro
com tua mão que está sempre por perto
impulsiona meus pés, mas devagar
pois é para ti que estou a caminhar
em meu caminho vasto e tão deserto
sem tua companhia aqui presente
a recordar que estás sempre iminente
já estaria eu morta sem sequer saber
é o teu sopro frio que me anima
embora tu me atraias feito ímã
rumar a ti é o que me faz viver
não quero apagar-te do meu pensamento
para andar mais viva a cada movimento
e enfim lançar-me em teus braços pra morrer
XXV
Quem é esse que caminha
Soberano e estrangeiro
Feito rei exilado pelos meus sonhos
Quem é esse que marca meu corpo
E circula em meu desejo
Com a embriaguez da poesia
Quem é esse que me assombra
Fantasma e exorcista
Rondando minha noite vazia
Quem é esse que me invade
Posseiro da minha alma
Domador dos meus sentidos
Quem é esse que me falta
Mais que a água ao deserto
Contorcendo minhas vísceras de ausência
Quem é esse que sopra
A vida em minhas narinas
Feito um deus que me ordenasse respirar
Quem é esse estranho que tanto sei
Dentro de mim
Feito a parte que faltava à minha integridade
Quem é esse que antes de eu nascer
Já me tinha cativa
Selada para ele onde quer que eu fosse
Quem é esse fragmento
De eternidade
Onde me completo e me desfaço
Quem é ele
Soberano e estrangeiro
Feito rei exilado pelos meus sonhos
Quem é esse que marca meu corpo
E circula em meu desejo
Com a embriaguez da poesia
Quem é esse que me assombra
Fantasma e exorcista
Rondando minha noite vazia
Quem é esse que me invade
Posseiro da minha alma
Domador dos meus sentidos
Quem é esse que me falta
Mais que a água ao deserto
Contorcendo minhas vísceras de ausência
Quem é esse que sopra
A vida em minhas narinas
Feito um deus que me ordenasse respirar
Quem é esse estranho que tanto sei
Dentro de mim
Feito a parte que faltava à minha integridade
Quem é esse que antes de eu nascer
Já me tinha cativa
Selada para ele onde quer que eu fosse
Quem é esse fragmento
De eternidade
Onde me completo e me desfaço
Quem é ele
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